Resumo da viagem
Nos dias 11, 12 e 13 de julho de 2016 celebrou-se na Universidade de Harvard o Segundo encontro da comunidade de usuários e desenvolvedores da Rede Dataverse, uma solução tecnológica criada pela Universidade de Harvard e que tem como objetivo integrar tecnologias que permitam o acesso, compartilhamento e preservação dos dados de pesquisas científicas. Em dita reunião, foram discutidas assunto diretamente relacionados com a gestão e uso de repositórios de dados de pesquisa. Os participantes de diversas instituições de ensino e pesquisa de nove países apresentaram o status do funcionamento do sistema Dataverse e as adaptações que ele permite. A participação do coordenador da Rede Cariniana do Ibict foi uma resposta ao convide da diretora da área de curadoria de dados da Universidade de Harvard e gerente do sistema Dataverse em dita universidade. O coordenador teve como atividade principal a apresentação da adaptação do sistema Dataverse no Ibict dentro da Rede Cariniana. Mas o compartilhamento de experiências com outros responsáveis pelo sistema em outras instituições permitiu o conhecimento de possíveis ações a serem desenvolvidas no Brasil nas áreas de gestão de dados de pesquisa e da preservação digital.
Atividades executadas
No primeiro dia da reunião fomos apresentados aos organizadores do evento e a responsáveis pela gestão da solução Dataverse em vários países. As palestras no primeiro e no segundo dia estiveram voltadas ao acompanhamento do uso do Dataverse nas instituições que participam da comunidade de usuários e desenvolvedores do sistema. A Diretora da área de Dados Científicos da Harvar liderou as atividades de todo o encontro. A Doutora Mercè Crosas apresentou a toda a equipe do Dataverse de Harvard e foram alguns de seus membros quem informaram o status do projeto. A Doutora Sonia Barbosa, Gerente da Curadoria de Dados e do Arquivo Murray da Universidade comunicou as principais metas que o projeto alcançou e suas planos para 2017.
Os representantes de 16 repositórios de dados em Dataverse apresentaram suas atividades. Instituições das áreas de Ciências Humanas e Biomedicina também mostraram suas adaptações do sistema e como ele pode ser integrado a outras soluções tecnológicas localmente. Ainda no primeiro dia o uso do Dataverse foi demostrado com relação à universidades, escolas, grupos de pesquisa e publicações eletrônicas. Foi constatada a grande diversidade de usuários do sistema em diferentes áreas, tais como, as ciências políticas, comunicação científica, história, economia, administração, matemáticas, arquivologia, etc.
No final do dia foi celebrada uma recepção para todos os participantes e a exposição dos pôsteres dos palestrantes que apresentaram suas experiências na sessão da manha.
No segundo dia, a comunidade Dataverse assistiu a demonstrações das novas funcionalidades do Dataverse pela equipe de Harvard e por alguns dos principais desenvolvedores do software de instituições parceiras. Algumas das primeiras implementações do sistema se colocaram a disposição para ajudar aos novos membros da comunidade para usar alguns dos programas que podem ser integrados ao Dataverse. Esses programas facilitam algumas das atividades que os gestores dos repositórios de dados realizam cotidianamente. As ferramentas que podem ser conectadas, vão desde sistemas de geoprocessamento de dados até sistemas de produção de submissão de publicações. No período da tarde, os participantes formaram grupos para discutir questões operacionais como: o treinamento dos profissionais que administram repositórios de dados de pesquisa, o uso e o teste de novas funcionalidades do Dataverse.
O último dia do evento foi dedicado a um workshop sobre a integração do workflow da Dataverse com outras ferramentas que completam o ciclo de vida dos dados de pesquisa. As discussões foram moderadas pela equipe técnica de Harvard e por técnicos presentes. O ponto mais interessante do dia ficou com a mesa redonda sobre a privacidade dos dados de pesquisa, onde especialistas de Harvard, da Microsoft e do governo Americano discutiram sobre aspectos da segurança da informação científica, seus aspectos sociais, legais e tecnológicos que determinam o estado atual do compartilhamento de dados de pesquisa na Internet.
Resultados obtidos
A reunião da comunidade permitiu que o Ibict, por meio do coordenador da rede Cariniana, pudesse entrar em contato com os desenvolvedores e administradores de repositórios de dados de pesquisa com ampla experiência nessa área. A apresentação do pôster sobre a experiência que o Instituto teve no seu primeiro ano de uso do sistema, facilitou o entendimento do que uma rede de preservação digital considera importante nos repositórios de dados de pesquisa. A natureza dos dados científicos, a sua origem, características de área, formatos e tamanhos é de vital importância na definição das estratégias de preservação digital que podem ser aplicadas. O papel da política de preservação digital, a orientação e formação de especialistas, com a capacidade de aplicação de normas e padrões internacionais de submissão, arquivamento e acesso de dados também foram confirmadas como indispensáveis pelos expositores no evento.
O trabalho do Ibict em conjunto com instituições parceiras nacionais pode seguir o modelo dos repositórios Dataverse de Harvard, os estudos que já realizados nessa instituição podem servir para dar sustentabilidade à gestão de repositórios digitais de preservação no país. Entre as contribuições que a comunidade Dataverse se propõe a oferecer estão o compartilhamento de conhecimento de infraestruturas para a ciência aberta e das etapas da curadoria de dados científicos, orientadas ao acesso a logo prazo. Ao logo de todo o encontro, ficou constatada a disponibilidade dos especialistas de Harvard na atualização de aplicativos tecnológicos testados para dar confiabilidade aos repositórios digitais.
Considerações finais
As atividades realizadas durante o encontro estão em conformidade com os temas abordados pela Rede Cariniana, descritos na sua política e nos serviços e produtos que ela desenvolve. Consequentemente torna-se indispensável o estabelecimento de parcerias internacionais para compartilhamento de infraestruturas e informações, que proporcionem garantias de sustentabilidade aos esforços no Ibict na pesquisa e disseminação de sistemas de informação de dados científicos. O trabalho no repositório Dataverse do Ibict que antecedeu à viagem para o encontro na Universidade de Harvard foi reconhecido por essa instituição, por cumprir as características principais das ações de gestão nos programas e projetos em vigor em países como os Estados Unidos, Canadá, Alemanha e o México. O repositório de dados científicos no Dataverse constitui uma alternativa para dar resposta à necessidade de curadoria de dados científicos e de trabalhar pela preservação desses conteúdos. A capacidade de abrigar e dar privacidade a uma grande quantidade de conjuntos de dados é um componente fundamental na infraestrutura de tratamento de informações científicas e é um dos temas que estão sendo discutidos internacionalmente. Isso, colocado como um componente fundamental na infraestrutura de informação de dados científicos no Brasil enfatiza a urgência de parcerias que permitam o avanço na gestão da informação científica digital.
Todas as apresentações e vídeos do Encontro estão disponíveis nas páginas da Agenda do evento: http://projects.iq.harvard.edu/dcm2016/meeting-agenda